Saturday, March 21, 2015

13

Saudades


Devo prestar atenção
Porque em corpo estou aqui.
Mas o coração me leva
à terra de Moçambique.


—Míler, 1 Março 2015

12

Erro

em erro te apanhou
quer dizer apanhei
eu não sei que falei
ainda mais que falou

—Míler, 2014

Este é meu segundo poema estrito na língua portuguesa.

11

Criação


Sou Cientista
tentando criar a beleza.
É muito mais difícil criar
do que é pra achar


Mas agora, epa!
Basta criar uma beleza
só para dizer que a fiz
com minhas mãos.


Prontos.


A vida do cientista é assim mesmo.

—Míler, 2014

Este é meu primeiro poema escrito na língua portuguesa.

10

Uma boa pintura

Começávamos
e andando transpirávamos
o rumo à nossa frente
que custávamos a mente
de repente se arrebentou
e logo repousou
nos corpos que habitávamos
pois, então descansávamos
e ficávamos
essa obra de mestre
no rumo silvestre.


—Míler, Fevereiro 2015

9

Corta Mato

Começávamos
correndo na estrada pavimentada
visão cumprida
obstáculos sem jeito
rio suave
mas chegou o tempo
de desembarcar
e tchovar.

Virávamos
ao lado esquerdo
onde havia mato
sempre em frente
terra turbulenta
com força de quebrar
os pés e a vontade
também a tchova.


—Míler, Fevereiro 2015

8

Completar Anos

Celebro, sim, porque fico
roubado de ano
e não percebo de nada
esperto cigano


—Míler, 4 Março 2015

7

Irmão mais novo

Há pouco tempo que
nasceu com energia
logo lutando para
a própria vida.

Ainda fica muito jovem
agora que a luta acabou
mas irmão mais novo
continua a lutar
mas não para nascer.

Irmão mais novo diz ajuda e
ensina-me a fazer
mas a família pouco consegue
ouvir a voz de irmão mais novo.

E titio é um pouco surdo.
Pois, também ele não faz.
Mas como irmão mais novo é muito esperto
sabe atrapalhar até conseguir.

Quando jovem, tem maningue desafios.
é difícil lutar para irmão mais novo
com 40 anos só
mas é guerreiro desde infância.

Irmão mais novo
nasceu a lutar
e a luta continua
até o dia terminar.


—Míler, Fevereiro 2015

6

Falecimento

Falecimento!

Tapete de pés, a defesa
mas antes ficou natureza.
Perdemos a história completa
da gloriosa ante-grandeza.

Fala cimento!


—Míler, 17 Março 2015

5

Beira-mar


O fruto dessas palmeiras
costumava me desfrutar;
comia a sombra fresquinha
pertinho do beira-mar.


Chamado a ser pescador,
trabalho de paciência,
levei meu barco e a rede
à Praça de Independência.


O mar é bom professor
custo me muito remar
mas volto a pensar na costa
pois lá é que fica meu lar.


Há tanto peixe na água
nadando daqui p’ra lá.
Como é que apanhei pouco,
tão grande escola está!?


Examinei toda a rede
cada fio fibra e nó.
Afinal o problema é este:
pescava os buracos só.


O fruto dessas palmeiras
costumava me desfrutar;
comia a sombra fresquinha
no amado beira-mar.

—Míler, 22 Março 2015

Tuesday, March 3, 2015

4

Origens


Dentro de mim há savanas sem chuva.


Dizem
que nós viemos
de mãe nativa.


Dizem
que ela veio
de África Oriental.


Olho p’ra além do deserto.


Parte de mim
começou a nascer
numa beira panorâmica.


Parte de mim
aprendeu a falar
na serena voz do Índico.


Pois, estamos juntos.


Também sou carvão
profundamente escrito no coração
do futuro cidadão, irmão!


Também sou carvão
e tenho que arder assim;
mostrar ao mundo a luz da nossa combustão!


Dentro de mim queima fogo de carvão, irmão!


—Míler, Fev 2015



Dedicado aos poetas moçambicanos.
Por um entendimento melhor vê-se os seguintes poemas:

"Grito negro" de José Craveirinha

"Poema mestiço" de Mia Couto

"Naturalidade" de Rui Knopfli